Dossiê: Sistemas Agroalimentares Contemporâneos

Organizadoras: Cimone Rozendo (PPGCS/UFRN), Catia Grisa (PGDR/PGDREDES/UFRGS), Silvia Zimmermann (UNILA)

Resumo: A literatura mundial sobre a alimentação tem dado grande ênfase às reflexões sobre os modelos que orientam e estruturam os sistemas agroalimentares e suas consequências. As análises demonstram que as longas cadeias - base dos sistemas agroalimentares globalizados - promovem um processo de desconexão entre as esferas de produção, transformação/agroindustrialização e consumo gerando uma crise de confiança, expressa nos sucessivos escândalos alimentares, como nos episódios da vaca louca, da gripe aviária, da contaminação por transgênicos etc. Em consequência disso, vimos emergir, nas últimas duas décadas, em todos os continentes, uma diversidade de iniciativas que buscam reconectar os elos "perdidos" da cadeia alimentar com vistas à construção de um modelo agroalimentar alternativo, mais sustentável e equitativo, no qual a confiança seja restabelecida. No contexto da crise provocada pela pandemia do coronavírus, as reflexões sobre o sistema agroalimentar assumem ainda maior relevância, principalmente quando se considera o lugar que ele ocupa como possível fonte do problema. Esses episódios reposicionam o tema dos sistemas agroalimentares, exigindo esforços analíticos de distintas áreas do conhecimento, que possam dialogar com as dinâmicas e as iniciativas que emergem nos diferentes contextos. Pretendemos reunir, por meio deste dossiê, um conjunto de artigos que expressem as mudanças e tendências dos sistemas agroalimentares contemporâneos, seus desafios e perspectivas.

Submissão de artigos até o dia 25 de setembro de 2021.

 

Dossiê: Conflitos Socioambientais e as Lutas por Terra No Rural Brasileiro

Organizadores: Sérgio Botton Barcellos (DCS-PPGS/UFPB), Manuela Souza Siqueira Cordeiro (PPGANTS-INAN/UFRR), Roberta Brandão Novaes (UNIFAN/FADBA)

Resumo: Ao longo da história, um conjunto de atores no Brasil reivindica políticas públicas de acesso à terra e constitui identidades relacionadas a diferentes sociabilidades políticas, socioambientais e modos de vida vinculados a territórios com ecossistemas específicos. Tais atores, atualmente, identificam-se como agricultores familiares, colonos, camponeses, assentados de reforma agrária, quilombolas, povos de terreiro, povos da floresta, entre outros. Os processos sociais vivenciados por essas populações evidenciam o aumento constante da concentração da posse da terra, atuação das transnacionais e megaempreendimentos (mineração, hidroelétricas etc.), monoculturas do agronegócio (soja, eucalipto, cana-de-açúcar etc.) e a crescente expansão da fronteira agrícola do sul ao norte do país. Ao mesmo tempo, observam-se as estratégias de resistência adotadas por esses grupos e comunidades devido aos danos ambientais causados por estes processos. Por meio desse Dossiê junto a Revista Raízes, recepcionaremos artigos que abordem, no campo das ciências sociais, as seguintes temáticas: demarcações e demandas por terra a partir da reinvindicação da reforma agrária; experiências e sociabilidades em assentamentos rurais, projetos de colonização ou áreas em processo de disputa fundiária; conflitos decorrentes a partir de sobreposição de terras (indígenas, assentamentos, reservas ambientais etc.) ou de entraves na regularização fundiária na Amazônia Legal; conflitos fundiários e socioambientais envolvendo assentados rurais ou povos e comunidades tradicionais em seus territórios.

Submissão de artigos até o dia 30 de novembro de 2021.

 

Dossiê: Desenvolvimento rural e a Cesta de Bens e Serviços Territoriais

Organizadores: Ademir Antonio Cazella (UFSC) Bernard Pecqueur (Université Grenoble Alpes) Clóvis Dorigon (Epagri-SC).

Resumo: O enfoque da Cesta de Bens e Serviços Territoriais (CBST) foi concebido na França no início dos anos 2000, a partir de trabalhos pioneiros elaborados por pesquisadores de Grenoble. Três principais componentes da CBST foram formulados ao longo do tempo: (i) cenário de bens públicos de qualidade, (ii) produtos e serviços privados de qualidade e (iii) sistema de governança territorial. Trata-se de um modelo de análise centrado na valorização de recursos territoriais específicos, que permite estudar distintos territórios a partir de aspectos da realidade social que se aproximam ou se distanciam do modelo original. As reflexões sobre as articulações entre os componentes da CBST resultaram na concepção do “efeito Cesta”, o que possibilita comparar a realidade territorial com a concepção teórica. No Brasil, esse enfoque passou a ser mobilizado em estudos sobre o desenvolvimento territorial em zonas rurais a partir de meados dos anos 2000. Em que pese a originalidade desses estudos, nenhum buscou discutir a adequação do modelo de análise à realidade social brasileira. Com a intenção de suprir essa lacuna, desde 2016, um grupo de pesquisadores de distintas organizações vem conduzindo pesquisas empíricas e reflexões teórica, por meio de um projeto coordenado pelo Laboratório de Estudos da Multifuncionalidade Agrícola e do Território da Universidade Federal de Santa Catarina. Passadas duas décadas desde a sua primeira formulação, este dossiê̂ pretende mobilizar pesquisadores brasileiros, franceses e de outros países que trabalham com o enfoque da CBST, com o propósito de analisar os avanços teóricos e empíricos alcançados, bem como das lacunas que persistem no modelo de análise da Cesta.

Submissão de artigos até o 25 de fevereiro de 2022.

 

Dossiê: Peste, Guerra, Fome e Morte e os Processos Sociais no Mundo Rural

Organizadores: Valdênio Freitas Meneses (CCTA/UFCG), Aldo Manoel Branquinho Nunes (PROEX/UEPB)

Resumo: Epidemias e desastres naturais acompanham crises sociais e econômicas. São fenômenos da fronteira sociedade/natureza presentes na história da humanidade que, por vezes, antecedem ou sucedem processos de mudança social, por vezes gradativos, por vezes abruptos, que em alguns momentos revolucionaram a ordem social e em muitos outros consolidaram tendências conservadoras. Iniciada em 2020, a pandemia do vírus Sars-Cov-2 (Covid-19) e suas graves consequências - como já mostram dados de relatório da Oxfam (2021) acerca da insegurança alimentar - demandam necessidade de ampliar debates e pesquisas sobre o tema de doenças e crises sociais, econômicas e políticas. A proposta deste dossiê da Revista Raízes é concentrar reflexões de estudos empíricos nesta temática. Tendo em vista o escopo da revista voltado para o mundo rural, coloca-se, de forma premente, a discussão da diversidade de eixos e temas de pesquisa que seguem:

  1. Dinâmicas históricas relacionadas a epidemias no mundo rural brasileiro. Crises sociais relacionadas à propagação de doenças e imposição de modelos higienistas no mundo rural. Dilemas históricos entre saúde e economia. Modelos de desenvolvimento para o meio rural frente binômio Estado e mercado;
  2. Processos dramáticos de “pestes” e outros fenômenos da natureza (enchentes, secas, geadas etc.) que envolvem relações de poder e resultam em conflitos por terra, acesso e uso de recursos naturais, sistemas de abastecimento e modos de vida no meio rural. O contexto da pandemia da Covid-19 nas populações rurais e comunidades tradicionais atingidas por grandes obras ou desastres ambientais;
  3. Institucionalizações e legitimações simbólicas do Agronegócio em meio à pandemia do COVID-19. O discurso de nação desde a “vocação agrária” colonial até o presente na geopolítica mundial (BRICS, Mercosul, União Europeia e China). Cultura, mundo rural em sua dimensão da representação cotidiana (rituais, eventos, lives, sertanejo universitário, rodeio, vaquejada e festas regionais durante a pandemia);
  4. Crises da economia e da saúde na agricultura familiar e comunidades tradicionais. Abastecimento rural e urbano em meio a pandemia da COVID-19. Austeridade e políticas públicas e alcances e estratégias sociais e econômicas do auxílio emergencial entre pobres do campo. Estudos acerca das medidas sanitárias, planos de vacinação e outras dinâmicas sociais em comunidades indígenas e quilombolas durante a pandemia atual. A pandemia e o impacto nos ciclos da vida e dos rituais fúnebres em comunidades rurais;
  5. Processos de desregulamentação do acesso à terra e recursos naturais e crise das políticas públicas destinadas à agricultura familiar e às comunidades tradicionais: conflitos agrários, ação de milícias, grilagem e estrangeirização das terras, avanço do desmatamento, invasão de terras indígenas e reservas naturais por garimpeiros e madeireiros durante pandemia da COVID-19;
  6. Fugere urbem, fugere Covid -19 e o Neo Novo Rural: A diáspora das classes médias e altas urbanas, fuga das cidades para o home office rumo às chácaras e condomínios rurais. Classes sociais, gostos, estilos de vida e seus efeitos no mercado da terra e outras dinâmicas fundiárias e serviços ligados ao rural durante a pandemia;
  7. Processos sociais relativos a todos os eixos anteriores no semiárido brasileiro no contexto da Pandemia.

Submissão de artigos até o dia 31 maio de 2022.