Ativismos alimentares e movimentos em torno das plantas alimentícias não convencionais (PANC)
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Resumo
A pesquisa partiu dos debates sobre ativismo alimentar no Brasil contemporâneo, enfocando, especificamente, os movimentos em torno das Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC). Tomamos como base teórica a Sociologia da Alimentação, os Estudos dos Sistemas Agroalimentares e os Estudos do Consumo. Através de uma busca na plataforma Instagram, da análise de dados, da observação participante em uma vivência de campo e da entrevista com um ativista, foi realizado um mapeamento dos principais atores (pessoas e coletivos) envolvidos com as PANC, analisando seus objetivos, práticas, discursos e estratégias, além dos debates e controvérsias entre eles, especialmente no que se refere à “convencionalização” e ao uso do termo PANC. Analisamos, ainda, como estes movimentos lançam mão do consumo político e como se articulam com as contestações ao sistema agroalimentar convencional. Os dados encontrados nos levaram a caracterizar as principais formas de atuação (ativismo stricto sensu, ativismo empreendedor e ativismo voltado para a divulgação e educação ambiental) e a propor uma tipologia inicial dos movimentos em torno das PANC (os que enfatizam temas estéticos, os que enfatizam temas éticos e os que se opõem ao acrônimo PANC).
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