Ativismos alimentares e movimentos em torno das plantas alimentícias não convencionais (PANC)

Contenido principal del artículo

Rebeca Rose dos Santos Leandro
https://orcid.org/0009-0006-3817-9976
Fátima Portilho
https://orcid.org/0000-0003-4780-9547

Resumen

A pesquisa partiu dos debates sobre ativismo alimentar no Brasil contemporâneo, enfocando, especificamente, os movimentos em torno das Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC). Tomamos como base teórica a Sociologia da Alimentação, os Estudos dos Sistemas Agroalimentares e os Estudos do Consumo. Através de uma busca na plataforma Instagram, da análise de dados, da observação participante em uma vivência de campo e da entrevista com um ativista, foi realizado um mapeamento dos principais atores (pessoas e coletivos) envolvidos com as PANC, analisando seus objetivos, práticas, discursos e estratégias, além dos debates e controvérsias entre eles, especialmente no que se refere à “convencionalização” e ao uso do termo PANC. Analisamos, ainda, como estes movimentos lançam mão do consumo político e como se articulam com as contestações ao sistema agroalimentar convencional. Os dados encontrados nos levaram a caracterizar as principais formas de atuação (ativismo stricto sensu, ativismo empreendedor e ativismo voltado para a divulgação e educação ambiental) e a propor uma tipologia inicial dos movimentos em torno das PANC (os que enfatizam temas estéticos, os que enfatizam temas éticos e os que se opõem ao acrônimo PANC).

Detalles del artículo

Cómo citar
Rose dos Santos Leandro, R., & Portilho, F. (2024). Ativismos alimentares e movimentos em torno das plantas alimentícias não convencionais (PANC). Raízes: Revista De Ciências Sociais E Econômicas, 44(1), 80–95. https://doi.org/10.37370/raizes.2024.v44.878
Sección
Artigos
Biografía del autor/a

Rebeca Rose dos Santos Leandro, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Mestre em Ciências Sociais (UFRRJ). Bacharel em Relações
Internacionais (UFF). Atua nas áreas de Sociologia da Alimentação e Ativismo Alimentar. Pesquisa
movimentos e ativismos alimentares em torno das PANC, e também os diferentes usos das plantas
alimentícias na experiência dos povos de terreiro.

Fátima Portilho, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Mestre em Psicologia das comunidades e Ecologia Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas. Professora associada do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Citas

AZEVEDO, E.. O Ativismo Alimentar na perspectiva do Locavorismo. Ambiente & Sociedade, São Paulo, Vol. 18, N. 3, jul-set 2015, p. 81-89. DOI: https://doi.org/10.1590/1809-4422ASOC740V1832015

BARBOSA, L. Feijão com Arroz e Arroz com Feijão: o Brasil no prato dos brasileiros. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, Ano 13(28), 2007, p. 87-116. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-71832007000200005

BARBOSA, L. Tendências da Alimentação Contemporânea. In: PINTO, M. L; PACHECO, J. K (Orgs.). Juventude, Consumo e Educação. Porto Alegre: ESPM, 2009, p.15-61.

BARBOSA, L. A ética e estética na Alimentação contemporânea. In: CRUZ, F.; MATTE, A.; SCHNEIDER, S. (Orgs.). Produção, consumo e abastecimento de alimentos: Desafios e novas estratégias. Porto Alegre, Editora da UFRGS, 2016. p.95-123.

BARBOSA, L; PORTILHO, F; WILKINSON, John; DUBEUX, Veranise. Trust, participation and political consumerism among Brazilian youth. Journal of Cleaner Production, v. 63, 2014. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2013.08.044

BOSTROM, M.; MICHELETTI, M.; OOSTERVEER, P. Introduction - Studying Political Consumerism. The Oxford Handbook of Political Consumerism. Oxford, Oxford University Press, 2018. DOI: https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780190629038.001.0001

BOURDIEU, P. A Distinção: crítica social do julgamento. São Paulo: Edusp; Porto Alegre: Zouk, 2008.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

CANCLINI, N. Consumidores e Cidadãos - ConRitos Multicultrais da Globalização. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ, 1995.

CAROLAN, M. More-than-active food citizens: a longitudinal and comparative study of alternative and conventional eaters. Rural Sociology, Vol. 0, Nº 0, 2016, p. 01-29.

COLLAÇO, J H. L.; MENASCHE, R. Apresentação – Comer contemporâneo: e não é que comida continua boa para pensar? Sociedade e Cultura (Dossiê Comida e Cultura), Vol. 18, N. 1, 2015, p. 05-11.

CONCEIÇÃO, D. Ogba Mimo – Livro das folhas sagradas. Campinas, SP: D7 Editora, 2019.

COUNIHAN, C.; SINISCALCHI, V. Food Activism. Agency, Democracy and Economy. Londres: Bloomsbury, 2014. DOI: https://doi.org/10.5040/9781350042155

DAMATTA, R. Sobre o simbolismo da comida no Brasil. Correio da Unesco, Vol. 15, N. 7. 1987.

DÓRIA, C. e AZEVEDO, E. Banquetaço: ativismo alimentar e a construção de novas formas de expressão política. Le Monde Diplomatique Brasil (on line). N. 100, 19 de março de 2019.

DUPUIS, M. E.; GOODMAN, D. Should we go to “home” to eat? Toward a reRexive politics of localism. Journal of Rural Studies, 21: 2005, p. 359–371. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jrurstud.2005.05.011

FISCHLER, C. El (h)omnívoro. El gusto, la cocina y el cuerpo. Barcelona, Anagrama, 1995.

FONSECA, M. A institucionalização do mercado de orgânicos no mundo e no Brasil: Uma interpretação. Tese (Doutorado em Ciências Sociais). CPDA/UFRRJ, Rio de Janeiro, 2005.

GOODMAN, D. & DUPUIS, E. M. Knowing food and growing food: Beyond the production–consumption debate in the sociology of agriculture. Sociologia Ruralis. Volume 42, Issue 1, pages 5–22, January 2002. DOI: https://doi.org/10.1111/1467-9523.00199

GOODMAN, D. The quality “turn” and alternative food practices: reflections and agenda.

Journal of Rural Studies. n. 19, p.1-7, 2003.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília, Ministério da Saúde, 2014.

GUILHERME, N. Produtores, Ecochefs e Consumidores - A Gastronomização da Agricultura Familiar no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais). CPDA/UFRRJ, Rio de Janeiro, 2016

HALKIER, B. Normalising Convenience Food? Food, Culture & Society, 20:1, 2016, p. 133-151. DOI: https://doi.org/10.1080/15528014.2016.1243768

KINUPP, V.; LORENZI, H. Plantas Alimentícias não Convencionais (PANC) no Brasil. Nova Odessa, SP: Instituto Plantarum, 2014.

LANG, T. et al. Food policy for the 21st century: Can it be Both Radical and Reasonable? Discussion paper Vol. 4, Centre for Food Policy, 1999.

LÉVI-STRAUSS, C. O triângulo culinário. São Paulo: L’Arc Documentos, 1968.

BORTOLETTO MARTINS, A.; MAIS, L.; CLARO, R. What to expect from the price of healthy and unhealthy foods over time? The case from Brazil. Public Health Nutrition, Vol. 23, 2020, p. 579-588. DOI: https://doi.org/10.1017/S1368980019003586

MALUF, R. Sistemas Alimentares descentralizados e a alimentação nas localidades: uma abordagem multiescalar. Rev. Econ. Sociol. Rural, 59 (4), Rio de Janeiro, 2021.

MENASCHE, R.; RIBEIRO, R. A Vida Social das PANC: Um Estudo Etnográfico em Feiras Ecológicas de Porto Alegre. Iluminuras, Porto Alegre, Vol. 20, N. 5, dezembro, 2019, p. 263-277. DOI: https://doi.org/10.22456/1984-1191.95307

MENASCHE, R.; RIBEIRO, R. PANC para quem? Um estudo sobre práticas e saberes, envolvendo o consumo de Plantas Alimentícias não Convencionais. 31ª Reunião Brasileira de Antropologia (RBA), Brasília, 2018.

MENDEZ, C.; BENITO, C. Sociología y Alimentación. Revista Internacional de Sociología (RIS). Tercera Época, N° 40, Enero-Abril, 2005, p. 21-46. DOI: https://doi.org/10.3989/ris.2005.i40.188

MILLER, D. Acknowledging Consumption: A Review of New Studies. London: Routledge, 1995.

MINTZ, S. Comida e antropologia, uma breve revisão. Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 16, N. 47, outubro de 2001, p. 31-178. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-69092001000300002

MOTTA, R. Food for Justice: Power, Politics, and Food Inequalities in a Bioeconomy: Preliminary Research Program. 2021.

NIEDERLE, P.; ALMEIDA, L. A nova arquitetura dos mercados para produtos orgânicos: o debate da convencionalização. In: Niederle, P. A.; Almeida, L. de; Vezzani, F. M. (Orgs.). Agroecologia: práticas, mercados e políticas para uma nova agricultura. Curitiba: Kairós, 2013, p. 23-68.

NIERDELE, P. A.; SCHUBERT, M. N. How does veganism contribute to shape sustainable food systems? Practices, meanings and identities of vegan restaurants in Porto Alegre, Brazil. Journal of Rural Studies, N. 78, 2020, p. 304-313. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jrurstud.2020.06.021

OLIVEIRA, D. Comida, carisma e prazer: um estudo sobre a constituição do Slow Food no Brasil. Coleção Thesis. Seropédica, Edur, 2020.

PREISS, P. As alianças alimentares colaborativas em uma perspectiva internacional: afetos, conhecimento incorporado e ativismo político. Tese de Doutorado. PGDR/UFRGS, 2017.

POLLAN, M. O dilema do onívoro. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2006.

PORTILHO, F. Novos atores no mercado: movimentos sociais econômicos e consumidores politizados. Revista Política e Sociedade. Vol. 8, N. 15, 2009, p. 199-224. DOI: https://doi.org/10.5007/2175-7984.2009v8n15p199

PORTILHO, F. Ativismo Alimentar e Consumo Político - Duas gerações de ativismo alimentar no Brasil. Revista Redes, Santa Cruz do Sul, Vol. 25, N. 2, maio de 2020, p. 41-432. DOI: https://doi.org/10.17058/redes.v25i2.15088

POULAIN, J. Sociologias da alimentação. Os comedores e o espaço social alimentar. Florianópolis, Ed. UFSC, 2006.

RANIERI, G. (Org.). Guia prático sobre PANCs: plantas alimentícias não convencionais. São Paulo: Instituto Kairós, 2017.

SHIVA, V. Monoculturas da mente: perspectivas da biodiversidade e da biotecnologia. São Paulo: Gaia, 2003.

SCHUBERT, M. N. e PORTILHO, F. Ativismo alimentar e consumo político alimentar – Uma análise a partir da Teoria das Práticas Sociais. In: Schubert, M. N.; Tonin, J.; Schneider, S. (Orgs.). Desafios e tendências da alimentação contemporânea: consumo, mercados e ação pública. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2023, p. 19-45.

SANTOS, A. Ativismos digitais do Movimento Afro Vegano: uma análise das narrativas performáticas nas mídias sociais. Tese de Doutorado - PPGS/UFRGS, Porto Alegre, 2022.

SANTOS, B.; MENESES, M. (Orgs.). Epistemologias do sul. Coimbra, Almedina, 2009. DOI: https://doi.org/10.4000/rccs.689

SILVA, A. "Preta é a minha pele, Preta é a minha fome": A importância da interseccionalidade para compreensão de contextos de insegurança alimentar. Anais do 47º Encontro Anual da ANPOCS, out. 2023.

TANAKA, J.; PORTILHO, F. Ambiguidades da politização do consumo: O caso do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) na cidade do Rio de Janeiro. Revista Raízes. Revista de Ciências Sociais e Economia. Campina Grande, Vol. 39, N. 2, jul./dez. 2019, p. 344-358. DOI: https://doi.org/10.37370/raizes.2019.v39.114

RIBEIRO, R. Novidade na Feira: Um Estudo Etnográfico envolvendo Plantas Alimentícias Não Convencionais. 2020. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Rural). PGDR/UFRGS, Porto Alegre, 2020.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global strategy on diet, physical activity and health. Geneva: WHO, 2004.