Agronegócio como ideologia
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Abstract
O ponto de partida é destacar que o Agronegócio coincide com as formas patronais de fazer agricultura não por dedução, mas sim porque se trata de uma formação discursiva historicamente necessária para representar o bloco hegemônico, portanto uma ideologia. Como tal, o Agronegócio é capaz de disputar os meios pelos quais os diversos atores inseridos em sistemas agroalimentares constroem seus símbolos, signos e valores. Utiliza como vantagem, na correlação de forças, a aliança com as estruturas em dominância, que, determinadas, interpelam quaisquer atores envolvidos na produção e circulação de alimentos. O avanço do bloco hegemônico sobre a agricultura familiar como nicho de mercado, bem como sobre a agenda ambiental e a da segurança alimentar, são também exemplos da forma viva e mutante por meio da qual a ideologia do Agronegócio opera. Neste texto, foi aplicada a técnica de nuvem de palavras em uma análise crítica do discurso, com o objetivo de expor os elementos constitutivos da retórica de entidades representantes do Agronegócio em sua tarefa de construir e consolidar a hegemonia entre os sistemas agroalimentares brasileiros. Os resultados apontam para uma reconfiguração discursiva que visa neutralizar antagonismos e ampliar o consenso em torno do projeto das classes dominantes, reafirmando o Agronegócio como tipo ideal de formatação de sistemas agroalimentares, omitindo as violências materiais e simbólicas orquestradas contra camponeses, povos indígenas e comunidades tradicionais.
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